Estranho como tudo acontece. Eu já deveria ter me acostumado com toda essa confusão, mas parece que sempre me surpreendo.
Você, o garoto desconhecido por mim, como de uma hora pra outra pode ter conseguido puxar e fixar meus pensamentos em ti?
Sempre foi o que eu evitei, e até você aparecer eu estava conseguindo. O que você tem, eu não sei, não consigo entender. Não consigo desvendar os mistérios que a ti rodeiam. Nem os meus estou a conseguir, quanto mais os seus, já que não consigo olhar pra você e raciocinar. É como se toda vez que me chama, ou que olho uma fotografia sua. Eu me transportasse a um lugar desconhecido, mas bom, que me faz bem. Que me faz sentir leve e tranquila, que me faz esquecer de tudo que atormenta. Um lugar que sem você, eu não consigo ir, ou não quero ir.
Mas pronto, agora chegou o momento que sempre chega, o momento em que te arranco de mim, o momento em que passo a te tratar como se fosse alguém comum, alguém que nunca me marcou. Alguém que não vou mais olhar com os mesmo olhos. Alguém, que eu vou ter que me segurar, pra não fazer, nem falar nenhuma bobagem.
Estranho, como isso foi tão de repente, tanto sua chegada, como sua partida. Partida essa que parece ter feito um buraco em minha alma, ela já não parece tão completa e intacta. Mas comum, ao mesmo tempo. Comum, porque eu já me acostumei, com ter que arrancar de mim, sentimentos que não podem ser alimentados, sentimentos, que nunca deveriam ter se quer existido. Agora, você vai seguir sua vida, e eu vou ver tudo de perto, literalmente. E vou ter que ser forte, e é com essas pancadas que eu ei de amadurecer. Então agradeço, desde já, pelo crescimento que essa história irá me acrescentar.
Estranho, mas comum.
Carol Marins.